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Mostrando postagens de 2025

A igreja de Jesus

Entre instituições cristãs, distorções históricas e a reconstrução da fé  Quando se fala em Igreja no mundo contemporâneo, é comum que a análise se concentre nas igrejas católicas e evangélicas , não por serem as únicas expressões religiosas existentes, mas por serem as que explicitamente se reconhecem como cristãs , afirmando seguir a pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo. Historicamente, ambas se originam do cristianismo primitivo, embora tenham desenvolvido estruturas, liturgias e compreensões distintas ao longo dos séculos. Além delas, existem outros grupos que se identificam como cristãos, como as igrejas ortodoxas — predominantes no leste europeu e no Oriente Médio —, que preservam uma tradição litúrgica antiga, fortemente sacramental e comunitária. Há ainda movimentos restauracionistas, como algumas comunidades independentes, que afirmam buscar um retorno direto ao modelo da igreja do Novo Testamento. Apesar dessas diferenças, todas alegam, em maior ou menor grau, víncu...

Maze Runner: quando o sistema diz que está nos salvando

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Em Maze Runner , um grupo de jovens acorda preso em um enorme labirinto, sem memória do passado e cercado por regras rígidas. Eles são informados de que aquele sistema existe para protegê-los e, supostamente, conduzi-los à salvação. Com o tempo, porém, fica claro que o labirinto não é apenas um desafio: é um mecanismo de controle , sofrimento e morte. Aqueles que criaram o sistema afirmam ter um propósito maior, mas o preço pago são vidas descartadas em nome de um bem futuro. O conflito central do filme surge quando alguns jovens passam a questionar se obedecer cegamente às regras realmente os salvará — ou se perpetuará o mal que os aprisiona. Na Bíblia, em 1 Samuel, encontramos a história do sacerdote Eli, líder espiritual de Israel. Seus filhos, Hofni e Fineias, também sacerdotes, corromperam o culto: exploravam o povo, desrespeitavam as ofertas e profanavam o que era santo. Eli sabia de tudo, mas escolheu não agir com firmeza . Repreendeu com palavras, mas manteve os ...

Quando o mundo vira deserto

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Em Mad Max , o mundo não acabou por falta de recursos, mas por perda de humanidade . O que restou foi um deserto onde: A violência se tornou normal O poder foi concentrado em poucos A água, o combustível e a esperança viraram instrumentos de dominação Não há mais instituições confiáveis, nem memória coletiva saudável. Quem tenta preservar valores é visto como fraco. Quem mantém humanidade sofre perdas. Esse cenário distópico nos ajuda a enxergar algo profundamente bíblico: quando a justiça desaparece, o mundo vira exílio . Israel viveu isso. E, em muitos sentidos, nós também . O Salmo 137 nasce exatamente desse lugar: não apenas fora da terra, mas fora do eixo espiritual . “Às margens dos rios da Babilônia, nos assentávamos e chorávamos…” O choro não era só saudade geográfica. Era a dor de perceber que: A arrogância venceu o temor A religião substituiu a obediência A identidade foi trocada por segurança Antes de perder Jerusalém, Israel perdeu a ...

Ser justo quando ninguém está olhando: a simplicidade exigente de João Batista

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Ao reler o capítulo 3 do Evangelho de Lucas, lembrei imediatamente do filme Ladrões (2025) . A história acompanha um ex-jogador de beisebol que tenta reconstruir a vida após escolhas erradas que quase destruíram sua carreira e sua dignidade. Em certo momento, ele diz uma frase emblemática: “Quando fugimos dos problemas, eles viram monstros que nos devoram.” É uma verdade dura: aquilo que evitamos enfrentar cresce por dentro, nos consome e limita quem podemos ser. Inclusive, em um pequeno spoiler , o filme mostra que, quando o protagonista decide finalmente agir com honestidade e ajudar um vizinho desconhecido em perigo, ele acaba gravemente ferido , precisando de vários pontos e atendimento emergencial. A cena é simbólica: ser justo, muitas vezes, custa caro . Mas é justamente esse custo que revela quem somos. Essa tensão entre o certo e o fácil ilumina de forma poderosa a mensagem de João Batista . Antes de dizer ao povo o que fazer, João fala diretamente sobre o castig...

🌎 “O rio é uma pessoa, não um recurso”

🌎 “O rio é uma pessoa, não um recurso”: o que a Bíblia nos ensina sobre ganância e cuidado com a terra Quando ouvimos povos indígenas dizerem que “o rio é uma pessoa, não um recurso” , muitos podem achar estranho. Mas, se olharmos com atenção, essa forma de enxergar a natureza está muito próxima do que a própria Bíblia ensina . Nos tempos antigos, a busca por novos territórios acontecia por diferentes motivos. Alguns povos migravam por sobrevivência , fugindo da fome, do frio ou de guerras. Outros, porém, avançavam sobre terras alheias por ganância e desejo de poder , movidos pela ambição de possuir mais riquezas e dominar outros povos. A Bíblia fala muito sobre isso. Desde Gênesis, aprendemos que a terra pertence ao Senhor : “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe.” (Salmo 24:1) Ou seja, nós não somos donos da criação — somos cuidador(a)es , chamados para administrá-la com responsabilidade. Quando o ser humano age com ganância, explorando sem limites, ele se afasta do pr...

Entre a Terra e o Asfalto🌿

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Outro dia reli Ideias para adiar o fim do mundo , de Ailton Krenak, e fui atravessada por uma sensação antiga, quase ancestral. Ele fala que o fim do mundo não é um evento futuro — ele já começou. E eu, sentada diante de uma tela fria, cercada de prazos, planilhas e compromissos, percebi que talvez tenha passado a vida inteira tentando adiar o meu próprio fim, esse que acontece em silêncio, quando nos afastamos da Terra que nos gerou. Krenak fala da necessidade de sonhar o mundo novamente. Mas como sonhar quando o despertador toca às seis, o ônibus atrasa e o cartão de crédito vence na sexta? Penso nos meus ancestrais, que um dia deixaram suas terras em busca de sobrevivência, e percebo que repito esse gesto — não com os pés, mas com o espírito. Eles migraram pela necessidade de comer; eu, pela necessidade de continuar existindo neste mundo que mede valor em produtividade. No auge da minha vida profissional, quando o sucesso se confunde com o cansaço, surge em mim o anseio de retorn...

A Expressão como caminho de aprendizagem: Linguagens, Emoção e Criação

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Costumo refletir sobre os chamados “métodos de ensino” em Língua Portuguesa, embora prefira vê-los como métodos de ensino de linguagens . Essa escolha não é apenas terminológica, mas conceitual: parte da convicção de que o ensino da língua deve contemplar as múltiplas formas de expressão — verbal, não verbal, gestual, visual e simbólica. Entendo que a linguagem é vida , e ensinar é, antes de tudo, possibilitar que o outro se expresse. A noção de linguagens múltiplas aproxima-se das reflexões de Mikhail Bakhtin , para quem a linguagem é essencialmente dialógica — ela se forma no encontro entre sujeitos, na interação social. Quando o aluno escreve, fala ou se expressa por meio de imagens e gestos, ele não apenas comunica, mas constrói sentidos compartilhados , respondendo ao mundo e à palavra do outro. Nesse sentido, a escrita e a leitura não devem ser atividades isoladas ou mecânicas. Quando incentivo meus alunos a transformar aquilo que leem em novas produções, estou promovendo o...

identidade

A identidade humana não está no que fazemos, mas em quem somos diante de Deus. Somos criados à imagem e semelhança do Criador (Gn 1.26-27) e, em Cristo, recebemos uma nova identidade como filhos adotivos (2Co 5.17; Ef 1.5). Isso significa que antes de qualquer profissão — professor, médico, tatuador, engenheiro ou artista — já temos valor e dignidade em Deus. Contudo, essa identidade em Cristo se expressa na vida prática, inclusive no trabalho. A Reforma resgatou a noção de que toda vocação é santa quando exercida para a glória de Deus. Assim, profissão não é apenas um meio de ganhar sustento ou de se autorrealizar, mas um chamado para servir ao próximo e cultivar a criação (Cl 3.23-24). A tatuagem e o cristão Quando pensamos na profissão de tatuador, logo surge a lembrança de Levítico 19.28, que proíbe certas marcas no corpo. No entanto, à luz de Cristo, entendemos que essa proibição estava ligada a práticas idólatras da época. A questão não é a tatuagem em si, mas o que ela significa...

O mentiroso

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📝 Verdade em Amor: Entre o silêncio e a sinceridade Muitas pessoas têm dificuldade em falar o que realmente pensam. Preferem se calar para não gerar conflitos ou para evitar que alguém fique magoado. Mas até que ponto o silêncio é saudável? Será que evitar conversas difíceis realmente nos protege ou, no fundo, cria ainda mais distâncias? A verdade é que conviver em comunidade, seja numa família, seja na igreja, significa lidar com diferenças, atritos e reconciliações. E fugir desse processo pode nos tornar superficiais, distantes e até mesmo hipócritas. 🎬 O filme O Mentiroso e a verdade inconveniente No filme O Mentiroso ( Liar Liar ), Jim Carrey interpreta um advogado que, por causa do desejo do filho, fica impossibilitado de mentir por 24 horas. A princípio, dizer sempre a verdade gera situações constrangedoras e engraçadas, mas com o tempo o personagem percebe que sua falta de sinceridade estava destruindo seus relacionamentos. Essa comédia mostra uma lição p...

A verdade é um leão

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Muitas vezes sou acusada de ser “grossa” simplesmente por falar de forma verdadeira e aberta. Não pretendo — e nem poderia — ter a verdade absoluta, mas procuro expor as coisas como as vejo, com sinceridade. E isso, para alguns, soa como dureza. Mas a verdade é um leão. Ela não precisa de adornos nem de defesas humanas. Quando libertada, se impõe por si mesma. No meio cristão, deveria ser ainda mais natural a prática da sinceridade, mas infelizmente, muitas vezes, encontramos hipocrisia, ocultação, minimização de problemas e até falsidade. Tudo isso por medo de “ofender” ou de causar desconforto. No entanto, esconder a verdade não é amor — é negligência. E falar a verdade em amor não significa usar diminutivos, falar mansinho e baixinho, como se fosse possível maquiar as situações. Essas estratégias são apenas formas de minimizar os problemas. O amor verdadeiro não se expressa no tom de voz, mas no desejo de edificar, corrigir e restaurar. Reconheço também ...

Aggretsuko

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A personagem Aggretsuko, do anime japonês, representa bem o dilema da identidade no mundo contemporâneo. No escritório, é a funcionária obediente e discreta, moldada pelas expectativas externas. Mas, em segredo, libera sua verdadeira essência ao cantar death metal em um karaokê, revelando emoções reprimidas. Essa duplicidade entre o eu público e o eu autêntico traduz o conflito de muitos jovens e adultos: afinal, somos aquilo que mostramos para atender às normas ou aquilo que sentimos de fato em nossa interioridade? Quando buscamos relacionamentos humanos, projetamos no outro aquilo que reflete ou complementa nossa identidade. Psicologicamente, atraímos por semelhança ou contraste; neurologicamente, o cérebro ativa sistemas de recompensa, liberando dopamina, ocitocina e serotonina que nos fazem associar a pessoa escolhida ao prazer e ao sentido. Assim, a paixão surge como um encontro entre identidade e desejo, sustentado por mecanismos biológicos. Curiosamente, esse mesmo r...

✨ Mudanças

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Mudar nem sempre é fácil. Na verdade, muitas vezes é desconfortável, incerto, até mesmo doloroso. Especialmente quando envolve deixar para trás um lugar, uma comunidade de fé, uma amizade — ou tudo isso junto. Mas será que toda mudança é sinal de desvio? Será que Deus pode, de fato, estar por trás dos ventos que nos empurram para outro lugar? A resposta é: sim. Deus pode usar o desconforto, as rupturas e até situações difíceis como instrumentos para nos mover. 📖 Quando Deus usa a mudança como direção A Bíblia está cheia de histórias de homens e mulheres que tiveram que deixar algo para trás: Abraão foi chamado a sair da sua terra, da casa de seu pai, sem saber exatamente para onde ia (Gênesis 12:1). José foi tirado da convivência com sua família de forma traumática, mas foi no Egito que Deus o usou poderosamente para salvar muitos. Rute deixou sua terra natal e seus deuses para seguir o Deus de Israel — e entrou na linhagem do Messias. Paulo e Barnabé se separaram ...

Gladiador, Roma e a Diversidade que converge em Cristo

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* A origem e cosmovisão romana, * A diversidade dos povos criados por Deus, * O impacto disso na Bíblia, * A resistência humana à diversidade, * A distinção entre diversidade e pecado, * E a conexão de tudo isso com o filme Gladiador. Quando assistimos ao filme Gladiador (2000), somos transportados ao coração do Império Romano — símbolo de poder, glória e domínio. Mas por trás dos combates na arena e da ordem imposta pelo Senado, Roma representa muito mais: ela é o berço de uma cosmovisão que moldou a civilização ocidental. 1. Como Roma começou e o que ela representa A lenda diz que Roma foi fundada por Rômulo e Remo, dois irmãos criados por uma loba. Ainda que mitológica, essa narrativa revela o espírito romano: força, sobrevivência e expansão. Da monarquia à república e depois ao império, Roma influenciou o direito, a política, a arquitetura e a língua. Mas Roma também era marcada pela dominação de povos diversos — cada um com sua cultura, religião e identidade. Havia esp...

Sobre alfinetes...

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🔸 Coisas Pequenas, Sentimentos Grandes Reflexões sobre o capítulo “História do Alfinete de Fralda” – A Bolsa Amarela No capítulo “História do Alfinete de Fralda”, Lygia Bojunga nos apresenta um personagem improvável: um alfinete. Esquecido, enferrujado e jogado na rua, ele ganha voz e clama por cuidado: “Me guarda? Já não aguento mais viver aqui jogado...” Esse simples trecho, construído com personificação , nos faz refletir sobre a forma como tratamos aquilo que, aparentemente, não tem mais utilidade. O alfinete representa tudo o que é invisibilizado — objetos, pessoas, memórias, ideias. E mais ainda: nos representa. Na adolescência, eu costumava olhar o mundo com esse mesmo olhar poético. Cada coisa tinha um significado, um porquê. Mas com o tempo, fui atropelada pela rotina: o trabalho, os cuidados com a casa, os filhos, o casamento… E, sem perceber, deixei de enxergar os “alfinetes” da vida. Aqueles detalhes sutis que antes me encantavam passaram a ser apenas pa...

A bolsa amarela... pássaros... qual a relação?

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Enquanto lia A Bolsa Amarela , de Lygia Bojunga (1976), me deparei com um trecho que parece escrito para hoje. O galo da história, que NÃO queria ser chefe do galinheiro, que queria cantar alto e ser diferente, foi chamado de “danado” e acabou preso para aprender a não ser como era. O castigo? Um quartinho escuro. A culpa? Querer pensar com a própria cabeça e expressar sua natureza. Na hora, me veio um estalo: quantas vezes somos punidos por simplesmente querer ser quem somos? Quantas vezes empresas, patrões, cônjuges, igrejas e até escolas tratam como “rebeldia” o simples desejo de fazer diferente? Em muitas empresas, o funcionário que propõe um novo caminho é visto como problema. Nas famílias, o cônjuge que questiona padrões é acusado de ingratidão. Em igrejas, quem ousa pensar fora da caixa é considerado insubmisso. E nas escolas, o aluno criativo vira o "indisciplinado". Ao dizer que empresas, cônjuges, igrejas e escolas tratam a liberdade como rebeldia, p...

Censura: como matamos o futuro

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✝️ Quando o Faraó ordena a morte dos inocentes: Uma Reflexão Bíblica e Atual > “Vendo, pois, o rei do Egito que o povo se multiplicava \[...] ordenou a todas as parteiras: ‘Quando ajudardes as hebreias a dar à luz, se for menino, matai-o.’” > (Êxodo 1:15-16) Lemos esse trecho da Bíblia quase como um detalhe da história de Moisés, mas o que está ali é algo brutal: um decreto oficial de morte contra bebês inocentes. Um governo com medo do povo decide eliminá-lo — não por causa de crimes, mas por existir. O faraó do Egito não mandou matar soldados, criminosos ou inimigos armados. Ele mandou matar crianças recém-nascidas. Era uma política pública baseada no medo de perder o controle. É o poder agindo com frieza para manter seu próprio trono. Matar bebês ao nascerem, como ordenou o faraó, é mais do que um ato de violência física — é uma violência contra o futuro, um assassinato da possibilidade antes que ela exista. Da mesma forma, a censura imposta hoje a opositores e cid...

Raízes

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De vez em quando, surge uma inquietação a respeito das coisas do passado, dos antepassados, das memórias familiares que parecem perdidas na mente. São saberes de ancestralidade que não conhecemos, mas que, de alguma forma, vivem em nosso sangue, em nossas feições, em quem somos sem saber . E então me pergunto: por que isso importa tanto? Por que isso grita dentro da gente, incomoda, como um barulho constante na mente que nos move a procurar algo? Procurar informações. Procurar sentidos. Procurar... Às vezes, é muito incômodo procurar, principalmente quando a gente nem sabe exatamente o que está buscando . E então surge a dúvida: para que saber disso é importante? Que diferença isso vai fazer na prática? No meu caso, falo da cultura indígena . Mas sei que essa inquietação grita dentro de muitas outras pessoas. Será que pessoas de outros países e etnias também têm essas questões, dúvidas e incômodos? Ou será que isso é mais forte em povos como o brasileiro, o africano, o indígena — q...