Feitiço do tempo ou O dia da marmota
Há filmes que permanecem na memória não apenas pela história que contam, mas pelas perguntas que continuam fazendo muito depois que os créditos terminam. O Dia da Marmota ( Groundhog Day , 1993), clássico dirigido por Harold Ramis e protagonizado por Bill Murray, é um desses filmes. À primeira vista, trata-se de uma comédia sobre um homem condenado a reviver indefinidamente o mesmo dia. Sob uma leitura mais cuidadosa, porém, a repetição do tempo se transforma em uma poderosa metáfora sobre aquilo que acontece quando uma pessoa permanece a mesma, enquanto a vida insiste em lhe oferecer oportunidades de mudança. Phil Connors acorda todos os dias no mesmo 2 de fevereiro. No início, utiliza a situação em benefício próprio. Depois, revolta-se. Em seguida, tenta manipular as circunstâncias, satisfazer seus desejos e até escapar da própria existência. Nada funciona. O dia continua se repetindo. A grande virada da narrativa acontece quando Phil percebe que o problema não está no dia...