Viajando com o mapa em tempos de conflito



Há momentos em que a fé parece uma travessia confusa. O mundo muda rápido, as certezas antigas são questionadas, as emoções oscilam e, no meio disso tudo, surge o conflito: entre razão e sentimento, entre tradição e novidade, entre o que cremos e o que sentimos. Nesses momentos, a tentação é abandonar o mapa e seguir apenas o que parece mais intenso ou confortável.

A teologia, como nos lembra C. S. Lewis, não é Deus — é o mapa. Um mapa nasce da experiência real de quem já percorreu o caminho. Ele não substitui a viagem, mas sem ele a viagem se torna perigosa. Da mesma forma, a doutrina cristã não existe para matar a fé, mas para orientá-la, protegê-la do engano e conduzi-la mais longe do que as emoções sozinhas conseguiriam levar.

O conflito surge quando confundimos emoção com encontro. Sentir Deus na natureza, na música ou em um momento especial pode ser verdadeiro e belo, mas isso, por si só, não nos transforma. Emoções não exigem decisão, não confrontam o pecado, não pedem mudança de rota. Elas aquecem, mas não conduzem. É como observar o mar da praia: inspira, acalma, encanta — mas não atravessa continentes.

Cristo, porém, não nos chamou para observar. Ele nos chamou para seguir. Conhecer a Deus começa quando aceitamos o mapa que Ele mesmo nos deu: a revelação em Jesus. Nele, vemos quem Deus é, quem nós somos e por que precisamos de graça. Esse conhecimento não elimina o conflito; ele o ilumina. A fé madura não foge das tensões — ela aprende a caminhar por elas.

No conflito entre gerações, ideias, estilos de culto ou formas de viver a espiritualidade, o mapa nos lembra que:

Deus não está preso ao passado, mas também não se perde no presente.

A verdade não muda, embora a linguagem mude.

Emoção sem verdade se perde; verdade sem vida se torna seca.


Entrar no mar sem mapa é perigoso. Ficar apenas olhando o mapa também não nos leva a lugar algum. O chamado de Deus é navegar: estudar, crer, obedecer, errar, aprender e continuar. A doutrina nos dá direção; a prática nos dá experiência; Cristo nos dá segurança.

Que, em tempos de conflito, não escolhamos entre sentir ou pensar, mas aprendamos a viver uma fé que pensa e pensa uma fé que vive. Assim, não viajamos sem mapa — e também não deixamos de viajar.

Oração:
Senhor, ensina-me a não confundir emoção com verdade, nem conhecimento com vida. Dá-me humildade para aprender, coragem para obedecer e discernimento para atravessar os conflitos sem perder o rumo. Conduze-me pelo Teu caminho. Amém.

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