Conflito de gerações, tecnologia e um Deus que nunca ficou para trás



Conflito de gerações, tecnologia e um Deus que nunca ficou para trás

Deus não é um velho que não entende as atualizações modernas do nosso tempo. A própria Bíblia nos mostra isso. A história da redenção começa em um jardim (Gn 2) e termina em uma cidade (Ap 21). Do jardim à cidade, vemos um Deus que, diferente de nós, não tem dificuldade alguma em lidar com a evolução. Muito pelo contrário: Ele promove, sustenta e governa todo o progresso. Nada acontece fora do seu controle (Sl 103.19; Is 46.9–10).

Nós, limitados pelo tempo e pelo espaço, muitas vezes nos pegamos confusos e aflitos, achando que Deus perdeu o controle da humanidade. Olhamos para o mundo e temos a sensação de que estamos progredindo sem rumo e que isso inevitavelmente nos levará à destruição. Mas essa leitura não é bíblica. O que começou a destruição do homem — e o que continua a levá-la adiante — não foi o progresso, mas o pecado (Gn 3; Rm 5.12).

É o pecado que faz com que vejamos e lidemos com tudo de maneira maldosa. Arruinamos todas as chances de paz (Tg 4.1–2). Destruímos. Ofendemos (Pv 18.21). Pensamos mal (Mt 15.19). O problema não está no tempo em que vivemos, mas no coração humano corrompido pelo pecado (Jr 17.9).

Esses dias, eu conversava com meu esposo, meu cunhado e meu sogro sobre as novas gerações. Meu cunhado estava indignado porque está treinando jovens aprendizes e dizia que eles não querem saber de nada. Eu argumentei que não era bem assim. Disse que, quando nós éramos jovens, os mais velhos da nossa época também afirmavam que nossa geração não ia dar em nada, que éramos desinteressados e preguiçosos. Isso não é novo (Ec 1.9–10).

Ele respondeu que ele nunca foi assim — e eu também não era. Mas, no mundo inteiro e em todas as épocas, as pessoas têm impressões negativas sobre a juventude. Desde sempre, as gerações mais velhas acreditam que as mais novas não terão futuro porque são inconsequentes. Nosso pecado faz com que vejamos os jovens dessa maneira. Em vez de investirmos neles e acreditarmos que, justamente por serem jovens, têm mais chances e oportunidades de ir além do que nós fomos, preferimos criticar (Mt 7.1–5).

Mas Jesus não agiu assim. Sobre seus discípulos — jovens, cheios de problemas, falhos e imaturos — Ele disse:

“Ide e fazei discípulos” (Mt 28.19).

E mais do que isso:

“Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará” (Jo 14.12).

Isso é impressionante. Jesus confiou. Jesus investiu. Jesus acreditou.

O mesmo erro que cometemos ao olhar para os jovens, muitas vezes cometemos ao olhar para a tecnologia. Achamos que ela necessariamente nos afasta de Deus. Mas não. A tecnologia, quando usada da maneira correta, promove aproximação, amplia possibilidades de relacionamento, ensino, discipulado e anúncio do evangelho (Rm 10.14–15). Nunca foi tão possível alcançar pessoas, compartilhar a Palavra e caminhar junto, mesmo à distância.

Mais uma vez, o problema não está na ferramenta, mas no pecado. É o pecado que nos faz usar tudo de maneira errada. Transformamos aquilo que poderia servir para o bem em instrumento de orgulho, vaidade, comparação e isolamento (Cl 3.5; 2Tm 3.1–5). O pecado distorce tanto nossa leitura da juventude quanto nosso uso da tecnologia.

Por isso, se achamos que toda a evolução e todo projeto humano estão fatalmente afastando a humanidade de Deus, estamos enganados. Aqueles que são dele não se perderão.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz” (Jo 10.27–29).

Eles escutarão a voz do Mestre e farão tudo o que tiver de ser feito. E aquilo que não for feito é porque Deus não quis assim, pois Ele realiza todas as coisas conforme a sua vontade (Ef 1.11).

O que quero dizer com tudo isso é que precisamos confiar. Confiar, investir, trabalhar e viver com a segurança de que o próprio Deus cuida de tudo. Ele governa as gerações, a tecnologia, a história e o futuro (Ap 11.15).

Deus nunca perdeu o controle.
E não perderá.

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