Maze Runner: quando o sistema diz que está nos salvando


Em Maze Runner, um grupo de jovens acorda preso em um enorme labirinto, sem memória do passado e cercado por regras rígidas. Eles são informados de que aquele sistema existe para protegê-los e, supostamente, conduzi-los à salvação. Com o tempo, porém, fica claro que o labirinto não é apenas um desafio: é um mecanismo de controle, sofrimento e morte. Aqueles que criaram o sistema afirmam ter um propósito maior, mas o preço pago são vidas descartadas em nome de um bem futuro.

O conflito central do filme surge quando alguns jovens passam a questionar se obedecer cegamente às regras realmente os salvará — ou se perpetuará o mal que os aprisiona.

Na Bíblia, em 1 Samuel, encontramos a história do sacerdote Eli, líder espiritual de Israel. Seus filhos, Hofni e Fineias, também sacerdotes, corromperam o culto: exploravam o povo, desrespeitavam as ofertas e profanavam o que era santo. Eli sabia de tudo, mas escolheu não agir com firmeza. Repreendeu com palavras, mas manteve os filhos no poder.

O juízo de Deus veio de forma progressiva: os filhos morreram em batalha, a Arca da Aliança — símbolo da presença de Deus — foi capturada pelos inimigos e, ao ouvir essa notícia, Eli caiu da cadeira, quebrou o pescoço e morreu. Não foi apenas a morte de um homem, mas o fim de um sistema religioso que havia perdido o temor de Deus.

Reflexão – quando a omissão sustenta o labirinto

O elo entre Maze Runner e a história de Eli está na omissão da liderança e na ilusão de que manter a estrutura é mais importante do que preservar vidas e valores.

Eli não criou a corrupção, assim como muitos líderes não constroem sistemas injustos do zero. Mas ele os permitiu. Do mesmo modo, no labirinto, o sofrimento não é causado apenas pelos monstros, mas pela insistência em manter um sistema que já se mostrou destrutivo. Quando a liderança se recusa a corrigir, o erro deixa de ser exceção e passa a ser método.

A Arca sendo capturada revela algo profundo: Deus não permanece onde o sagrado é usado para legitimar abuso. O labirinto também colapsa quando perde seu sentido. Estruturas podem continuar de pé, mas sem presença, sem propósito e sem vida.

Thomas, assim como Samuel, surge como alguém disposto a romper com a lógica da obediência cega. Ele não tem todas as respostas, mas se recusa a aceitar que sofrimento seja o caminho normal da salvação. Ambos entendem que fidelidade não é manter o sistema funcionando, mas discernir quando ele já não serve à vida.

A pergunta que fica não é apenas histórica ou cinematográfica, mas espiritual e atual:

Estamos obedecendo por fé ou por medo?
Estamos preservando pessoas ou apenas estruturas?

Eli caiu quando perdeu a Arca. O labirinto cai quando perde o controle. Em ambos os casos, Deus — ou a verdade — expõe que nenhum sistema sobrevive quando já não protege a vida.

Às vezes, a libertação começa quando alguém tem coragem de dizer: “isso não está nos salvando”.

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