Ser justo quando ninguém está olhando: a simplicidade exigente de João Batista
Ao reler o capítulo 3 do Evangelho de Lucas, lembrei imediatamente do filme Ladrões (2025). A história acompanha um ex-jogador de beisebol que tenta reconstruir a vida após escolhas erradas que quase destruíram sua carreira e sua dignidade. Em certo momento, ele diz uma frase emblemática: “Quando fugimos dos problemas, eles viram monstros que nos devoram.”
É uma verdade dura: aquilo que evitamos enfrentar cresce por dentro, nos consome e limita quem podemos ser.
Inclusive, em um pequeno spoiler, o filme mostra que, quando o protagonista decide finalmente agir com honestidade e ajudar um vizinho desconhecido em perigo, ele acaba gravemente ferido, precisando de vários pontos e atendimento emergencial. A cena é simbólica: ser justo, muitas vezes, custa caro. Mas é justamente esse custo que revela quem somos.
Essa tensão entre o certo e o fácil ilumina de forma poderosa a mensagem de João Batista.
Antes de dizer ao povo o que fazer, João fala diretamente sobre o castigo que há de vir. Ele anuncia um juízo severo — o machado à raiz das árvores, a palha sendo queimada no fogo. Diante desse anúncio assustador, é natural esperar que a solução para escapar desse destino seja algo quase impossível, um esforço heroico ou uma renúncia extrema.
Mas então vem a surpresa.
Quando a multidão pergunta: “O que devemos fazer?”, João responde com uma simplicidade que quase desconcerta:
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repartam o que têm,
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não roubem,
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não cobrem mais do que é justo,
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não abusem da autoridade,
-
vivam com honestidade.
Parece fácil.
Mas não é.
Assim como no filme, em que o protagonista tenta fazer o que é certo e acaba machucado — literalmente —, praticar a justiça pode trazer prejuízos, riscos e até sofrimento.
A honestidade exige coragem.
A responsabilidade exige renúncia.
A justiça exige firmeza.
A verdade exige caráter.
E quando fugimos disso — como diz o personagem — os problemas viram monstros que nos devoram
A multidão esperava um caminho difícil, mas recebeu um caminho simples — e profundamente exigente:
agir com justiça, verdade e responsabilidade.
É simples no discurso, difícil na prática.
Mas é exatamente aí que se revela quem realmente deseja viver segundo Deus.
E, como mostra o filme, enfrentar o que é certo pode doer, mas fugir sempre devora.
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