identidade

A identidade humana não está no que fazemos, mas em quem somos diante de Deus. Somos criados à imagem e semelhança do Criador (Gn 1.26-27) e, em Cristo, recebemos uma nova identidade como filhos adotivos (2Co 5.17; Ef 1.5). Isso significa que antes de qualquer profissão — professor, médico, tatuador, engenheiro ou artista — já temos valor e dignidade em Deus.

Contudo, essa identidade em Cristo se expressa na vida prática, inclusive no trabalho. A Reforma resgatou a noção de que toda vocação é santa quando exercida para a glória de Deus. Assim, profissão não é apenas um meio de ganhar sustento ou de se autorrealizar, mas um chamado para servir ao próximo e cultivar a criação (Cl 3.23-24).

A tatuagem e o cristão

Quando pensamos na profissão de tatuador, logo surge a lembrança de Levítico 19.28, que proíbe certas marcas no corpo. No entanto, à luz de Cristo, entendemos que essa proibição estava ligada a práticas idólatras da época. A questão não é a tatuagem em si, mas o que ela significa e como é usada.

Um tatuador cristão precisa discernir: sua arte glorifica a Deus? Respeita a dignidade do corpo, que é templo do Espírito Santo (1Co 6.19-20)? Ajuda pessoas a expressarem memória, esperança ou beleza de forma saudável? Ou promove violência, idolatria, pornografia?

Profissão como campo missionário

O estúdio de tatuagem pode se tornar um espaço de acolhimento e missão. Muitas pessoas buscam tatuagens para expressar dores, lutas ou lembranças. Nesse contexto, um tatuador cristão pode ser presença de Cristo, não apenas oferecendo um desenho, mas também escuta, respeito e até uma palavra de esperança. Sua profissão se torna, assim, uma extensão do seu discipulado.

Discernimento e limites

Na prática, isso significa:

Recusar artes que firam a consciência cristã.

Propor desenhos que expressem beleza, verdade e dignidade.

Entender que a arte corporal não é fim em si mesma, mas pode ser instrumento de comunicação, memória e até testemunho.

Na cosmovisão cristã reformada contemporânea, nossa identidade é ser filhos de Deus em Cristo. A profissão, seja ela qual for — inclusive a de tatuador —, é apenas o campo onde expressamos essa identidade. Trabalhamos não para nos definir, mas porque já fomos definidos em Cristo.

Portanto, um tatuador cristão pode exercer sua arte como vocação, servindo ao próximo, glorificando a Deus e testemunhando o Reino no ambiente em que atua.

“E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens.” (Cl 3.23)



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