Censura: como matamos o futuro
> “Vendo, pois, o rei do Egito que o povo se multiplicava \[...] ordenou a todas as parteiras: ‘Quando ajudardes as hebreias a dar à luz, se for menino, matai-o.’”
> (Êxodo 1:15-16)
Lemos esse trecho da Bíblia quase como um detalhe da história de Moisés, mas o que está ali é algo brutal: um decreto oficial de morte contra bebês inocentes. Um governo com medo do povo decide eliminá-lo — não por causa de crimes, mas por existir.
O faraó do Egito não mandou matar soldados, criminosos ou inimigos armados. Ele mandou matar crianças recém-nascidas. Era uma política pública baseada no medo de perder o controle. É o poder agindo com frieza para manter seu próprio trono.
Matar bebês ao nascerem, como ordenou o faraó, é mais do que um ato de violência física — é uma violência contra o futuro, um assassinato da possibilidade antes que ela exista. Da mesma forma, a censura imposta hoje a opositores e cidadãos comuns se assemelha a essa crueldade: é como matar o discurso antes mesmo que ele seja proferido, silenciar ideias antes que nasçam. Como professora de Língua Portuguesa, me vejo na obrigação de defender o direito à linguagem, à expressão e à crítica. A palavra é semente de liberdade — e sufocá-la é negar ao povo sua dignidade mais básica: a de pensar, falar, questionar e resistir.
As recentes tentativas de aprovar leis que limitam o uso das redes sociais, sob o pretexto de combater a desinformação, revelam um interesse claro em controlar a livre manifestação política do povo. Sim, é necessário educar para o uso ético da linguagem e combater os abusos — mas não é cerceando o acesso que se resolve o problema. O Brasil já possui legislação para punir crimes como calúnia, difamação, pedofilia, estelionato digital, entre tantos outros, e ainda assim esses crimes seguem impunes em muitos casos. O foco não tem sido punir verdadeiros criminosos digitais, mas sim calar quem discorda, quem pensa diferente, quem ousa criticar os poderosos. A liberdade de expressão não é um privilégio de grupos alinhados ao poder — é um direito constitucional e uma ferramenta fundamental para manter viva a democracia.
🇧🇷 O Brasil de hoje: outro Egito? Tudo se repete...
Não estamos vendo o extermínio literal de bebês, mas vivemos uma morte lenta de direitos, da dignidade e da liberdade.
O povo trabalha, mas o que ganha some em impostos e inflação.
A cesta básica se tornou um luxo. Milhões lutam para comer com dignidade.
Pequenos empreendedores não aguentam o peso de tributos abusivos.
E, por cima disso tudo, vemos instituições como o STF agindo de forma cada vez mais autoritária, calando vozes, intimidando opositores e esticando os limites da lei — sempre com aparência de justiça, mas sem o coração da justiça.
👁 Quando o Estado oprime o povo
Assim como no Egito, o governo diz: “é para o bem do povo”, mas a conta só chega para os mais pobres. O sistema se fortalece, enquanto o povo enfraquece. A máquina estatal se protege, mas não protege o cidadão.
A fome voltou aos lares. O medo voltou às ruas. E a esperança está sendo sufocada pelo discurso do “é assim mesmo”.
💡 Mas Deus vê. Deus ouve. Deus age.
O livro do Êxodo continua dizendo:
> “E aconteceu que, depois de muitos dias, o clamor dos filhos de Israel subiu a Deus... e Deus ouviu o seu gemido, e lembrou-se da sua aliança.”
> Êxodo 2:23-24)
O mesmo Deus que viu a dor de um povo oprimido no Egito é o Deus que vê o Brasil hoje.
E Ele ainda levanta Moisés, ainda inspira parteiras corajosas, ainda age através do clamor de um povo que não se cala.
✊ E o que podemos fazer?
Não veja situações como essa de maneira apática.
Não se cale. O silêncio fortalece os faraós.
Ore. Mas também denuncie e participe.
Lute por justiça. Mesmo que pequena, sua resistência conta. Educando seus filhos para serem críticos, ensinando a ler e interpretar, a se expressar com clareza e respeito.
Esteja atento. Não aceite que a tirania se vista de virtude.
A história da Bíblia é cheia de reis que caíram. E também de servos que foram libertos.
Hoje, o Egito pode ter outro nome, outro idioma, outras leis.
Mas o Deus dos oprimidos é o mesmo.
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Que nunca aceitemos como normal a opressão.
Que sejamos as parteiras que desobedecem o mal para preservar a vida.
E que o clamor do povo brasileiro também suba ao céu — e encontre resposta.
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