MEU PPP: PROPÓSITO - PENSAR - POSICIONAR-SE




Fonte: Desenhos que alunos fizeram de mim ;)

Um Projeto Político-Pedagógico (PPP) é o documento que orienta, de forma intencional e organizada, as práticas educativas de uma instituição ou de um professor, definindo princípios, objetivos, metodologias e concepções de ensino e aprendizagem. Ele não se limita a um planejamento técnico, mas expressa uma visão de educação, de aluno e de sociedade. Nesse sentido, o meu PPP consiste em uma proposta que integra intencionalidade pedagógica, fundamentação teórica e princípios cristãos, buscando equilibrar participação ativa dos alunos, ensino estruturado e formação de caráter, com foco no desenvolvimento de competências linguísticas e na construção de sentido para a aprendizagem.

Ensinar Língua Portuguesa, para mim, nunca foi apenas trabalhar conteúdos ou preparar alunos para avaliações. Com o tempo, fui entendendo que minha prática carrega uma intencionalidade maior: formar pessoas. E essa compreensão não nasce apenas das teorias pedagógicas que estudei, mas, principalmente, da minha fé cristã, que orienta a forma como enxergo o aluno, o conhecimento e o próprio sentido da educação.

Ao longo da minha trajetória, percebi que dialogo com diferentes pensadores da educação, mas não de maneira automática. Faço escolhas. Filtragens. Nem tudo que é pedagogicamente aceito faz sentido dentro daquilo que acredito. Nesse caminho, entendi, inclusive, que não me identifico plenamente com Paulo Freire. Embora reconheça contribuições importantes, como a valorização do aluno e da reflexão, não fundamento minha prática em uma visão ideológica da educação. Minha prioridade não é o discurso, mas a aprendizagem real, consistente e com propósito.

Minha prática se aproxima muito mais de Lev Vygotsky, especialmente na forma como entendo a aprendizagem como um processo relacional. Eu acredito que o aluno aprende na interação, na mediação, na troca. Por isso, valorizo atividades em grupo, projetos e propostas em que os estudantes constroem juntos. No entanto, essa interação não é solta: ela tem दिशा, tem condução, tem objetivo claro. Não abro mão do papel do professor como aquele que orienta, organiza e conduz o processo.

Essa necessidade de estrutura se conecta diretamente com Dermeval Saviani. Eu acredito que a escola tem um papel fundamental: garantir acesso ao conhecimento sistematizado. Em Língua Portuguesa, isso significa ensinar leitura, escrita, interpretação e análise com profundidade. Não basta participar — é preciso aprender. Não basta expressar — é preciso saber como fazer isso com clareza, coerência e domínio da linguagem.

Também reconheço, na minha prática, elementos de Jean Piaget, quando valorizo o aluno como sujeito ativo, que precisa pensar, resolver problemas e construir respostas. E de David Ausubel, quando parto do repertório do aluno, das suas experiências e conhecimentos prévios para dar sentido ao que ensino. Ainda assim, busco equilíbrio: atividades significativas precisam estar organizadas dentro de uma progressão clara, para que o aprendizado não se perca.

Mas, acima de todas essas influências, está o fundamento que sustenta minha prática: minha fé. É ela que define o porquê de tudo isso.

Eu não vejo meus alunos apenas como aprendizes em desenvolvimento, mas como pessoas criadas à imagem de Deus, com valor, dignidade e propósito. Isso muda completamente a forma como ensino. Ensinar, para mim, também é cuidar, orientar, corrigir e formar caráter.

A própria ideia de verdade, tão essencial no ensino de Língua Portuguesa, ganha um peso diferente. Eu não trabalho a linguagem apenas como ferramenta de expressão, mas como responsabilidade. Ensinar o aluno a ler bem, interpretar corretamente e argumentar com coerência é, também, ensiná-lo a lidar com a verdade de forma ética.

Além disso, a noção de comunidade, tão presente na minha prática — nas atividades em grupo, na mediação, na construção coletiva — encontra eco direto na fé cristã. Aprender junto, respeitar o outro, crescer em conjunto: isso não é apenas estratégia pedagógica, é princípio de vida.

Ao mesmo tempo, minha fé também funciona como limite. Ela me impede de aceitar, sem reflexão, qualquer proposta pedagógica. Nem toda autonomia é saudável quando elimina a direção. Nem toda crítica constrói quando não aponta caminhos. Nem toda liberdade ensina quando não há verdade.

Por isso, minha prática docente não se resume a seguir um autor ou uma teoria. Ela é construída na integração entre conhecimento pedagógico e princípios cristãos. Eu ensino com mediação, com estrutura, com intencionalidade e com sentido — mas, acima de tudo, ensino com propósito.

E é esse propósito que dá coerência a tudo o que faço em sala de aula.

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