Filhos: ter ou não ter, eis a questão!

Decidir não ter filhos por causa de condições financeiras é uma decisão complexa e deve ser abordada com oração e discernimento. A Bíblia ensina tanto a importância da confiança em Deus quanto a prudência em nossas decisões.



Confiança em Deus:

A confiança em Deus é um princípio central na fé cristã. Em Mateus 6:31-33, Jesus ensina:

> "Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."


Esse trecho encoraja os cristãos a confiar que Deus proverá suas necessidades básicas, incluindo aquelas relacionadas a criar uma família.


Prudência e responsabilidade:

Ao mesmo tempo, a Bíblia também valoriza a prudência e a responsabilidade. Em Lucas 14:28-30, Jesus conta a parábola do homem que quer construir uma torre:

> "Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar? Para não acontecer que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar."


Essa parábola ilustra a importância de planejar e considerar cuidadosamente os recursos antes de tomar decisões importantes.


Equilíbrio e discernimento:

A decisão de não ter filhos por motivos financeiros não significa necessariamente que se está colocando os bens materiais acima da vontade de Deus ou que falta confiança nEle. Pode refletir uma prudência responsável ao considerar o bem-estar de todos os envolvidos.


Por outro lado, essa decisão também pode ser um convite para refletir sobre onde está a confiança em Deus e se há outras maneiras de ajustar as prioridades para alinhar a fé com as circunstâncias da vida.


A Bíblia menciona a importância da procriação e da família em várias passagens. Algumas dessas passagens são frequentemente interpretadas como incentivando os casais a terem filhos.

  1. Gênesis 1:28 - No livro de Gênesis, logo após a criação do homem e da mulher, Deus os abençoa e lhes diz:

    "E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves do céu, e sobre todo o animal que se move sobre a terra."

    Essa passagem é frequentemente interpretada como uma ordem divina para a procriação.

  2. Salmo 127:3-5 - Este salmo exalta os filhos como uma bênção de Deus:

    "Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão. Como flechas na mão de um homem poderoso, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não serão confundidos, mas falarão com os seus inimigos à porta."

    Aqui, ter muitos filhos é considerado uma bênção e motivo de felicidade.

  3. 1 Timóteo 5:14 - No Novo Testamento, Paulo aconselha as mulheres mais jovens:

    "Quero, pois, que as que são mais novas se casem, tenham filhos, governem a casa, e não deem ao adversário ocasião de maldizer." 

    Esse versículo também pode ser visto como uma orientação para que as mulheres casadas tenham filhos e cuidem do lar.

Essas passagens refletem uma visão tradicional da família e da procriação, onde ter filhos é visto como um mandato divino e uma parte importante do casamento.

A Bíblia não dá uma instrução direta que condene ou proíba explicitamente um casal de ter apenas um filho ou de optar por não ter filhos. As passagens mencionadas anteriormente incentivam a procriação e a valorização dos filhos, mas não estabelecem um número específico de filhos que um casal deve ter nem proíbem o ato de não ter filhos.

Aspectos a considerar:

  1. Liberdade e responsabilidade pessoal: A Bíblia valoriza a liberdade e a responsabilidade das decisões pessoais dentro dos parâmetros da fé e dos ensinamentos bíblicos. Decisões sobre ter filhos ou não são, em muitos casos, vistas como uma questão de discernimento pessoal e de circunstâncias individuais.

  2. 1 Coríntios 7: O apóstolo Paulo discute o casamento e a vida familiar, sugerindo que tanto o casamento quanto a vida solteira têm valor e propósito dentro do plano de Deus. Em 1 Coríntios 7:7-8, Paulo expressa que a vida solteira pode ser desejável para se concentrar no serviço a Deus. Embora isso não seja uma discussão direta sobre ter filhos, sugere que nem todas as pessoas precisam seguir o mesmo caminho de procriação.

  3. Contexto e interpretação: Muitas das passagens bíblicas que incentivam a procriação foram escritas em um contexto cultural e histórico onde a sobrevivência e o crescimento das comunidades dependiam fortemente de grandes famílias. Hoje, as circunstâncias são diferentes, e muitos cristãos acreditam que as decisões sobre o tamanho da família devem ser tomadas em oração, levando em conta as condições de vida, saúde e outros fatores.

Não há uma objeção bíblica clara contra a decisão de um casal de ter apenas um filho ou de não ter filhos. Essas decisões devem ser tomadas com oração, discernimento e em consulta mútua entre os cônjuges, buscando a vontade de Deus para suas vidas específicas

Se decido não ter filhos por causa das condições financeiras, estou colocando os bens materiais acima da vontade de Deus. Ou isso denota falta de confiança em Deus? 

Não há uma resposta única ou fácil. A decisão deve ser tomada em oração, buscando sabedoria e discernimento. É importante considerar as responsabilidades, mas também confiar que Deus pode prover, caso a decisão seja ter filhos. Compartilhar essa decisão com Deus em oração e buscar orientação espiritual pode trazer paz e clareza sobre o caminho a seguir.

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